Aprendendo a escutar

Todo ser humano é um universo. Pare um pouco e reflita nos bilhões de informações que uma simples célula humana pode carregar, na velocidade e potência da mente humana, da qual não existe nada sequer remotamente parecido na face da terra.

No entanto, quantas vezes perdemos a oportunidade de interagir com esses universos? Conheço pessoas que podem responder que perdem poucas vezes essa oportunidade. Te olham no olho e te escutam enquanto você falar. Buscam te entender e conhecer o que está sendo comunicado.

Todos conhecemos pessoas que parecem desconectadas quando conversamos com ela. Na maioria das vezes, nem parecem te ouvir: o olhar está longe. Parecem estar pensando em outras coisas totalmente alheias à conversa, ou na primeira sentença que você fala, já definem a resposta que será dada e já se preparam para replicar. Muitas vezes nem esperam que o outro termine. Aliás, quantas vezes nós mesmo não somos assim?

Nós podemos aprender a ouvir. A ouvir a outra pessoa com toda a atenção. Ouvir com todo nosso corpo, não apenas com o ouvido, sentindo o que a pessoa realmente está tentando comunicar, o que diz o seu olhar. Como disse Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana”.

Discussões infrutíferas

Aqui vai uma dica: evite discutir algo mais profundo com pessoas que só escutam parte do que você fala e instantaneamente já formulam sua resposta, tentando defender a unhas e dentes posições mentais que são indispensáveis ao seu ego. Esse tipo de conversa é muitas vezes contraproducente.

Mas não caia na armadilha de sentir-se superior às outras pessoas, muitas vezes aprendemos mais com as pessoas mais imperfeitas e com menos status. Todo ser humano é um universo e de todos podemos agregar sabedoria de vida.

Escute o seu interior. Silencie-se para ouvir a voz que vem de dentro da sua alma. Valorize o silêncio que possibilita que se manifestem toda sabedoria e conhecimento que nos faz crescer.

Esvaziar-se

Outro dia estava assistindo a um vídeo da Monja Coen em que ela relata uma breve história, mais ou menos assim:

Certa vez, um homem muito instruído no ocidente foi até o oriente para aprender com um velho e sábio monge. Disse o homem ao sábio:

– Caro monge, venho aprender com o senhor suas técnicas. Já estudei mindfulness, sou formado em psicologia, possuo doutorado e pós-doutorado em neurociência, além de inúmeros trabalhos científicos publicados.

O monge, com olhar calmo, respondeu com um convite:

– Vamos tomar chá?

O homem, sem entender muito bem, aceitou. Chegando na casa do sábio, este pegou o bule e começou a servir. O chá encheu a xícara e começou a derramar, sem que o velho homem parasse. Espantado, o futuro aluno disse:

– Monge, onde está sua atenção plena? Não está vendo que está derramando? O senhor não estudou os elementos da atenção?

O sábio, sorrindo, respondeu:

– Aquilo que está cheio não pode se encher.

Esvazie-se a cada dia para poder se encher de novo conhecimento. Deixe de lado um pouco suas qualificações profissionais e se permita aprender com todos, do porteiro ao CEO.

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