A felicidade morre na comparação

Você está andando tranquilamente com o seu carro 1.0 pela cidade quando de repente um Audi Q3 para ao seu lado. No volante, um garoto da metade da sua idade. Mas como? Deve ser um riquinho privilegiado. Aposto que nunca trabalhou. E eu aqui com essa porcaria. Nesse momento, a felicidade morreu na comparação.

É claro que no exemplo acima o problema central é a vinculação da felicidade com coisas materiais. Sempre haverá alguém com mais que você e, consequentemente, aquilo que você tiver, não importa o que for, nunca será o bastante. No entanto, muitas vezes nos comparamos em aspectos subjetivos, dizendo coisas como: “Eu queria ser feliz como aquela pessoa” ou “ela é tão mais espontânea e realizada, o que há de errado comigo?” Comparamos até a nossa atividade de meditação com a de outras pessoas: “será que estou fazendo certo?” Acontece que a própria natureza subjetiva desses elementos torna impossível a comparação, nos fazendo muitas vezes carrascos de nós mesmos.

A nossa mente possui os modos atuante e existente. O modo atuante possibilita que realizemos tarefas que demandam análise, como operações de cálculo por exemplo. No entanto, ele é um desastre quando usado para lidar com emoções. Tentamos “resolver” a infelicidade com o modo atuante, que diferencia  o lugar onde queremos chegar (feliz) e o em que estamos (infeliz). Ao tentar traçar uma rota, este modo foca na diferença entre os dois “lugares”, o que nos deixa mais insatisfeitos ainda. É o modo atuante o responsável por julgar e comparar.

Já no modo existente, a proposta é suspender temporariamente os julgamentos. Consiste em ficar de lado por alguns momentos, observando “de longe” a situação, sem deixar a consciência se envolver. Deste modo, observamos o desenrolar das coisas de um outro ponto de vista, sem distorcer a realidade. Enquanto o modo atuante bloqueia a criatividade, o modo existente permite que ela flua, sendo possível enxergar soluções que não havíamos pensado antes e que estavam bem à frente do nosso nariz.

Se desprenda do emaranhado de comparações e julgamentos. Comece a limpar hoje mesmo toda essa bagagem mental inútil, que nunca serviu de nada para ninguém. Alicerce sua felicidade em coisas nobres e atemporais, tornando-a forte o suficiente para não morrer em qualquer comparação.

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