Com o que vale a pena se preocupar

Com nada, simples assim. Toda preocupação não serve de nada. Não concorda? Tudo bem, vamos fazer um exercício e pensar juntos.

O pai preocupado

Imagine um pai que deixou seu filho de 18 anos ir a uma festa com o carro. Ele deu todas as recomendações sensatas e combinou um bom horário para o filho voltar. Agora, imagine que já é um pouco tarde e o garoto ainda não voltou. Nesse momento o pai começa a ficar preocupado com a situação. Vamos analisar essa preocupação: a mente cria um ou mais cenários do que pode ter acontecido ao garoto. Existe alguma possibilidade desse cenário ser real? Não. Perceba que eu não disse que ele não pode corresponder a algo que possa acontecer, mas o cenário mental em si é impossível de ser real porque ele é apenas um pensamento. Agora responda, devemos gastar energia lidando com o que não é real? Bom, isso parece óbvio, mas nós achamos tão óbvio mesmo? Imagine este pai, ele tenta ligar para o filho e esse não atende. Os cenários mentais ficam ainda piores. De repente, ele se vê criando alternativas mentais: “Deve estar tudo bem, ele pode estar sem bateria no celular”. Porém isso só cria uma dualidade de pensamentos que atacam uns aos outros, e essa dualidade fortalece ambas as partes. Você consegue perceber a energia mental que é dissipada nesse processo? Você acha que essa energia mental não tem impacto no corpo físico e emocional? De repente o pai se vê com os músculos tensos, o coração acelerado, talvez suando. A “atucanação” toma conta e ele começa a andar pela casa feito barata tonta. Vejam o tanto de energia dispensada em algo irreal. A liberação química, estressante e inútil. Nós seres humanos temos um mecanismo de luta/fuga comum a todos os animais, que faz sentido ser disparado quando nos encontramos numa situação de perigo, como quando encontramos um predador ou um bandido armado. Mas repare como no exemplo a mente criou um predador e o corpo do pai entrou no mecanismo de luta/fuga contra algo que simplesmente não existe. Qual o proveito disto?

Talvez você esteja bravo comigo, pensando: “ele quer que o pai não faça nada? Que seja um irresponsável?” Mas perceba que o pai não está efetivamente fazendo nada, a não ser gastando energia com algo que não existe. Há muitas atitudes que ele pode tomar: ligar para algum amigo, ir até a festa, até ligar para a polícia. Enfim, você não acha que é melhor lidar com coisas que realmente existem? E que se ele não gastar energia com a preocupação que a própria mente criou, vai consequentemente ver as coisas com mais clareza e poderá tomar atitudes mais sábias? É óbvio que sim.

A preocupação não é produtiva

O problema é que a preocupação às vezes se disfarça de um sentimento bom, até nobre. Se preocupar virou sinônimo de se importar com algo, de querer cuidar, mas ela não é nada disso. Veja bem, quando a mente se “pré ocupa” com alguma coisa, ela se afasta do momento presente, onde a vida de verdade acontece. Pense bem, qual outra forma de garantir um bom futuro a não ser tratando de ter um bom presente? Quando nos preocupamos temos a falsa sensação de que estamos cuidando de algo, mas só podemos cuidar daquilo que está acontecendo no aqui e agora. Você consegue perceber que a preocupação é lidar com uma ilusão?

Se você realmente se importa com algo que possa acontecer, trate de fazer algo no presente para prevenir ou diminuir os possíveis efeitos. Toda preocupação é bagagem mental desnecessária.

Por favor, não acredite em mim. Aplique isso no laboratório da sua vida e veja por si mesmo. Destrua sistematicamente as suas preocupações e limpe sua cabeça para ver as coisas com mais clareza.

1 resposta a “Com o que vale a pena se preocupar”

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