O tempo não cura nada se você mantiver os mesmos hábitos

Todo mundo já ouviu as frases: “O tempo é o melhor remédio” e “Nada como um dia após o outro”. Elas nos trazem a sensação de que as tristezas e dificuldades vão sarando com o passar do tempo, tornando-se mais fáceis de assimilar. Realmente o tempo ajuda na medida em que nos afastamos da situação, observando-a de um outro ângulo. Além disso, focamos nossa atenção em outras coisas, vendo que aquilo não era esse bicho todo que pensávamos. Entretanto, o tempo não cura nada a longo prazo se mantivermos os mesmo hábitos. Ainda que se resolva temporariamente, estamos quase que fadados a cair no mesmo buraco novamente.

Essa ideia se aplica a muita coisa: doenças, vícios, fins de relacionamentos, brigas, etc. Imagine uma pessoa que possui um problema respiratório e fuma. Consideremos que essa pessoa faça um tratamento, incluindo até deixar de fumar por algum tempo, e em alguns meses apresenta uma melhora incrível. No entanto, algum tempo depois ela volta a fumar e aos hábitos sedentários. Não é difícil imaginar que ela tem grandes chances de ter o mesmo problema de saúde, até pior. Isso se aplica também aos nossos hábitos comportamentais, que geram tristeza, raiva, mágoa e ansiedade. Aqui, vamos abordar os hábitos mentais e algumas das suas consequências.

Hábitos Mentais

A mente humana é como uma super máquina. Não há nada no planeta remotamente parecido com ela. Todas as tecnologias são cópias rudimentares dela, como frisa Monja Coen. Evidentemente, todos sabemos como a mente é uma poderosa ferramenta que temos ao nosso dispor. Porém, quando usamos essa ferramenta de forma errada, ela pode ser a nossa ruína. Quando não a treinamos para trabalhar para nós, viramos seu escravo. Se tentamos usá-la para “resolver” nossa emoções, não temos sucesso.

Ao usar a mente para planejar, com parcimônia, o futuro, podemos alcançar mais facilmente nossos objetivos. Mas se nos preocupamos neuroticamente com o futuro de forma a não viver o presente, viramos uma máquina produtora de ansiedade. Se aprendemos com nossos erros, corremos menos riscos de cometê-los de novo. Porém, se ficamos remoendo sem nos perdoar pelo que aconteceu, viramos um poço de tristeza. Aliás, tentar resolver erros do passado é a melhor forma de cometer erros no presente. Quando lidamos com coisas complexas, treinamos nosso cérebro. Mas se levamos tudo a sério e deixamos de apreciar as coisas simples, ficamos infelizes. Quando estamos atentos para fazer as coisas o melhor que pudemos, somos produtivos e ficamos contentes. Entretanto, se somos perfeccionistas, nos tornamos uma máquina de autopunição e escravos de nossos caprichos. A palavra-chave aqui é temperança.

Higiene Mental

A boa notícia é que podemos, gradualmente, mudar esses hábitos. Quando treinamos mindfulness, estamos mais atentos ao momento presente. Percebemos o nascer de novos pensamentos e emoções, e tomamos decisões mais sábias. Mindfulness é adestrar a mente, fazer com que ela trabalhe para nós, e não o contrário.

Aposto que você escova os dentes todos os dias para não ter cárie. Muitos com certeza apostam em comidas saudáveis para cuidar do corpo, e garanto que todos limpam sua casa o máximo que podem para se sentirem confortáveis e livres de ácaros. Mas e a higiene mental? Você tem praticado? A mente é tudo. Ela guia seu corpo e suas decisões. Determina seu estado emocional. Por que você acha que ela não merece o mesmo cuidado e higiene?

Fazer a “higiene mental” inclui várias possibilidades: meditar, ler um bom livro, ficar um tempo sem fazer nada (nem ver tv e muito menos ficar mexendo no celular), largar o smartphone um pouco e evitar a tonelada de informações que invadem sua mente. Se desconectar um pouco do mundo sempre que possível e ficar sozinho com você mesmo.

Engana-se quem pensa que esses hábitos mentais não tem consequência no corpo. Tudo está interligado, não temos uma mente separada do corpo andando por aí. Problemas de estômago, dermatológicos, dor de cabeça, tonturas, são muitas vezes relacionadas a problemas no campo mental. A mente tem um impacto no corpo muito maior do que imaginamos.

Concluindo, ficar tentando cuidar do corpo sem cuidar da mente é o mesmo que ficar aumentando as letras de um texto sem trocar os óculos.

Vamos cuidar da nossa mente hoje?

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