Texto Gringo: Logotipos

Prezados amigos! Com a parceria da Verônica Thiesen, vamos começar uma nova seção aqui no blog chamada “Texto Gringo”. A ideia é trazer textos de blogs em inglês que o pessoal não tem muito acesso aqui no Brasil por causa do idioma. Se você conhece algum blog, texto ou livro que gostaria de ver traduzido deixe nos comentários.

Logotipos

Texto original em/original essay at: https://www.theminimalists.com/logos/

Texto convidado de Colin Wright/Guest Essay by Colin Wright

É estimado que as pessoas vejam centenas de milhares de mensagens de marketing em um dia e provavelmente você deva ver mais que isso dependendo da cidade em que mora.

São muitas mensagens. E a maioria delas estão tentando convencer você de algo.

Para ser justo, muitas dessas mensagens nem mesmo se parecem com propagandas. Em vez disso, um produto é mencionado em uma música pop ou aparece ao fundo de uma novela no horário nobre.

Talvez as propagandas mais espertas, entretanto, é a maçã do seu notebook. Ou o símbolo da Nike no seu tênis. Ou o touro na latinha do seu energético.

Eu digo espertas porque, na maioria dos casos, os consumidores dos produtos que levam esses logotipos ficam mais do que felizes em exibi-los. Na verdade, eles se sentiriam um pouco mal se não pudessem. O logotipo representa algo, seja qualidade, inovação ou um certo “status” que você entende, mas não consegue explicar.

Essas associações não são acidentais: há um time com pessoas muito inteligentes responsáveis por construir a reputação dessas marcas famosas. Eles garantem que seus computadores sejam usados pelas pessoas certas, e suas bebidas energéticas sejam consumidas pelas estrelas mais influentes para dados demográficos específicos. É um aspecto da marca que é parte arte parte ciência, e o mais brilhante sucesso tem sido fazer os consumidores sentirem que, associando-se a um certo logotipo – certas cores, certas palavras, certas músicas, certos gostos e certas embalagens – eles estão se transformando em algo mais. Eles acreditam que um pouco da qualidade, da inovação ou da publicidade exibida nos comerciais e nas revistas , de alguma maneira, vai “grudar” neles.

De alguma maneira isso acontece. Dizem que você é o que você come, e se você decidir que você é o Whole Foods (rede multinacional de supermercados dos EUA), por exemplo, é provável que você esteja comendo alimentos mais orgânicos e saudáveis do que alguém que se associa à marca McDonald’s. Não é um dado, mas a probabilidade é maior.

Essa associação é muito superficial. Os atributos que levam uma pessoa a se alimentar de forma mais saudável não são imbuídos por uma marca; a marca simplesmente traz esses atributos para a superfície. É encorajador sentir que há outras pessoas como você por aí, e você não é apenas um tronco flutuando em um rio solitário: você faz parte de um movimento, algo maior que você mesmo. Este é o seu supermercado.

O importante é lembrar que você não precisa de logotipos para ser algo. Você não precisa usar um tênis da Nike para ser melhor nos esportes; só precisa praticar e se sentir confiante com o seu desenvolvimento. Você não precisa beber algo de uma latinha específica para ser o tipo de pessoa que gosta de paraquedismo e snowboarding. Você só tem que decidir que quer fazer todas essas coisas e fazê-las. Você não precisa ter o logotipo certo em sua sacola de compras compostável para comer mais saudável. Você apenas tem que decidir comer mais saudável, e então fazê-lo.

Logotipos são atalhos. Eles nos permitem pular a bordo de um trem em movimento e aproveitar a velocidade tanto quanto qualquer outra pessoa a bordo. O problema é que pode ser difícil pular de um trem em movimento, e ainda mais difícil começar a andar depois disso; viajar a pé parece lento demais em comparação.
Logotipos são rótulos. Eles associam você a um conjunto específico de atributos – um movimento, em muitos casos – e, se você fosse menos esses logotipos e perdesse essas associações, talvez achasse difícil expressar quem você é.
Isso é algo que eu encontro o tempo todo, como alguém que evita logotipos com a maior frequência possível. A diferença mais significativa é que ninguém sabe onde colocar você. Se você não tiver logotipos que simbolizam sua lealdade, associações e – em um grau crescente – o status econômico, as pessoas não têm certeza de onde você se encaixa.

A parte mais benéfica de deixar de ser rotulado é que você é forçado a descobrir quem você é, até o mais ínfimo detalhe. Ao invés de ser capaz de abreviar sua personalidade (“Eu sou tipo um cara da Oakley, e eu gosto dos Giants e NASCAR, mas eu também tenho queda por indie rock e o clássico Zeppelin”), você tem que se conhecer no contexto de si mesmo. Você não é “o tipo de pessoa que gosta de X”, você é você.

Esse é um processo difícil no início, porque desde cedo aprendemos a nos descrever como uma coleção de Diagramas de Venn sobrepostos; a única singularidade que podemos oferecer é a complexidade da forma que os círculos fazem e os círculos que usamos. Ser sua própria marca – e construir-se do zero – é mais como escrever uma série de pequenas histórias sobre você. Você é forçado a entender quem você é no vácuo, em vez de quem você é no contexto do enredo de um refrigerante.
À medida que você passa pela vida, as marcas e as pessoas tentarão forçá-lo a se definir em termos que elas entendam, em seu contexto, à medida que você se relaciona com elas e o que elas acham que é importante. Você não precisa rasgar todos os logotipos de suas roupas e aparelhos, mas tenha cuidado para não deixar que eles o definam e rejeite aqueles que tentam forçá-lo a pertencer a um campo ou outro.
Você é um indivíduo completamente único – lembre-se disso e almeje ser frustrantemente não-rotulável.

Logotipos” é um trecho retirado do Act Accordingly. Colin Wright é o autor, empresário e viajante de tempo integral que viaja para um novo país a cada quatro meses com base nos votos dos leitores em seu blog, Exile Lifestyle.

Tradução livre de Verônica Thiesen. Quer uma tradução personalizada de algum texto ou livro? entre em contato com ela.

 

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